domingo, 11 de abril de 2010

Há pouco tempo minha lembrança retomou nova memória, de uma noite única e inesquecível.
Uma noite parecida com a despretensão e a irrefutável vivência de uma dia especial de Curtindo a vida adoidado. Mas ao invés de filar uma aula pra viver nossas próprias experiências, driblamos nossas vidas e rotinas pra um encontro de almas que se entregam pra uma nova idéia.
A gente andava de carro numa via tortuosa e úmida, se perdendo em vontades diversas de comida, dança, cafuné, conversa, batatas (hehehe). Queríamos aquecer, uns aos outros, o momento e uma história pra se contar pros netos.
Paramos pra comer num café diferente, o café tinha um club infantil com mascotes esquisitos e cheios de estereótipos estranhos. Pedimos a comida mais barata, quase sempre custando uma moedinha, frapés de chocolate, cigarros e conversa a fora.
Perto de lá havia um circo colorido e chamativo, convidativo pra aquela garota que queria voltar a se sentir inteira. Mas como se num chamado tudo se encaminhava pra uma experiência peculiar.

A cidade que estávamos indo se chamava Pecado, mas queríamos descansar um pouco num lugar quente e não se tinha dinheiro para um hotel com 5 camas, mas apenas pra 1 cama, redonda de preferência. Um motel de beira de estrada era nossa saída, mas para isso tínhamos que esconder 3 corpos vivíssimos no porta-mala. Paramos num posto de gasolina e todos se concentraram no que tinha de ser feito até com bastante seriedade. Antes um carro com 2 homens e 3 mulheres, pensariam "poorra, dois sortudos". Agora um casal gay, uma boneca inflável, uma veinha escondida atrás do banco com seu croché na cabeça e um corpo sonolento e encolhido no porta-mala.

Suíte Standard, por favor. Quarto 118, logo a sua esquerda.
Chegamos, todo mundo sai do carro e dá liberdade e vida ao corpo no porta-mala. Cinco crianças índigas descobrindo ou redescobrindo um mundo novo, pegando em tudo, mexendo em tudo. As vergonhas ainda cobertas e todo mundo com uma vergonhinha de se mostrar. Ligamos pra o epicentro distante, queríamos a bênção e o espírito dela junto com a gente naquele momento tão fantástico. E depois brincamos de brincadeiras que foram muito divertidas.
Brincadeira do cartão, fighting game, joelho com joelho pra brincar de consequência, massagem do casal com cueca e calcinha cinza e depois dormimos com várias frases-chave de lembrança.

- Cadê a tequila?
- Vá, tire o brinco, começa assim.
- É da pakalolo.
- Eu tô parecendo um frango assado.

Foi difícil voltar a realidade, tiveram uns que acordaram e se perguntaram onde estavam. Mas logo saímos, sem se esconder tanto, antes uma boneca inflável, agora 2 com cara de sono e uma deitada com o crochê fingindo a esconder.

- Sabia que não dava pra rolar putaria com vocês - resmunga o carona.
- Faltou a tequila.
- Todo mundo tava de vergonhinha, nem venha.

E retomamos o caminho de casa, em silêncio, tomando um vento úmido no rosto e ouvindo Secos e Molhados.

Clímax
s.m. O ponto culminante. / Biologia. e Sociologia Grau máximo ou ótimo de desenvolvimento de um fenômeno: o clímax da revolução. / Retórica. Gradação ascendente ou decrescente. Ou apenas "o point do amor".

Nenhum comentário: